sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Dançarinos de sabão

  Há dez anos atrás eu sentava e assistia o tempo dançando uma valsa lenta... Eu era um daqueles expectadores ansiosos, que queria saber com antecedência o que aconteceria. Desesperado pra ver o tempo passar, eu aplaudia, na minha sempre impaciente expectativa.
  Constantemente invejoso, como qualquer criança que admira o adulto bebendo, fumando e fazendo outras coisas que não são do seu conhecimento, eu odiava aquela valsa. Queria ver um tango, rápido e violento, que me fizesse crescer.
  Assistia sempre que podia àquela dança, que ficava mais rápida e os dançarinos menores, como o sabão que vai encolhendo sem você perceber.. Eu crescia e os dançarinos encolhiam, eu beijava e os dançarinos lá, numa perceptível agonia. Seu sonho era acabar aquela dança.
  Dez anos depois assisto a uma dança descalça, com os pés sobre brasa. O tempo se desespera a passar e eu me desespero a atrasá-lo. Quero dias com mais horas, horas com mais minutos e minutos com mais segundos. Penso no tolo menino, que botava formigas sob as lentes de um microscópio e se escondia em caixas de papelão. Pobre menino que desejou e conseguiu, ficou preso em papel de foto enquanto o homem o chama, grita. Grito sem resposta.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Reflexivo

Me sinto como a borra de café que fica em um copo. Muitos olham, não vêm sentido ou beleza, alguns se atraem, prestam atenção, e vêm exatamente o que querem... Bonito ou feio, sou totalmente a imagem que fazem. Ora me sinto assim, ora me sinto eu.

domingo, 5 de agosto de 2012

My little bird

  Nós merecemos! Mais uma noite juntos, você na rede e eu no chão. Olhando as estrelas, fantasiando, de mãos dadas, ora falando, ora em silêncio. Silêncio que ao seu lado não é mais constrangedor, silêncio que não é mais verdadeiro. Seu calor se propaga na minha direção com mais força, intensidade, me fazendo ouvir um som quase desesperado. O som das palavras não ditas.
  Toda noite você voa em busca da sua liberdade, minha gaiola imaginária não existe pra você. Sempre levando consigo um pedaço de mim, você vai e vem, me completando e me desfalcando... Às vezes me transbordando.
  Como tudo o que é bom nessa vida, te vejo se destruindo mais rápido, como um cigarro mal enrolado. Acho que inconscientemente você busca uma liberdade ainda maior... Penso que sua alma não se conforma em estar presa em um corpo, apesar de você não perceber.
   Aí minha fantasia desaba e o inevitável acontece, você vai embora. Você cansa de voar na minha gaiola e vai ganhar o mundo. Você cansa de cantar pra mim e procura platéia. Não quero te prender, linda passarinha, quero apenas voar junto com você...