quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Estática do movimento imperfeito



  E se você acordasse e tudo o que você sempre sonhou houvesse virado realidade? Como um coma expresso. Seria capaz de saborear o gosto de uma vitória sem luta? Um fim sem meio, com um começo imaginário e um desfecho perfeito. Desconstrói-se a fábula antiga de que os fins justificam os meios e vice-versa e aparece uma utopia, onde pensamentos se materializam.
  Ideais se desintegram diante de nossos olhos, e a luta pelo inatingível que nos motiva a viver mesmo sabendo que não importa o que fizermos, não sairemos vivos, perde todo o sentido. Até quando somos capazes de criar objetivos? Até quando os prazeres mundanos nos satisfariam se alcançássemos todos? Um dilema fica no ar: é mais importante o começo, o meio ou o fim? O perfeito nunca pareceu tão imperfeito.
  O café não passaria de água suja se não fôssemos seduzidos pelo cheiro enquanto esperamos, e a aposentadoria não faria sentido se não estivéssemos cansados de trabalhar. Referencial só faz sentido quando há um segundo ponto de vista, e saber não seria tão gostoso sem o processo de aprender. Valeria a pena cortar pela metade a satisfação pessoal em troca do comodismo?
  
 

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